domingo, abril 01, 2007

As terríveis e melancólicas tarde de Domingo.

Já pude reparar que não é apenas comigo, mas sim uma percepção coletiva: o nojo pelo Domingo. Domingos são em geral dias perdidos. Quando eu era moleque o trauma era ainda maior. Era dia de missa (credo); dia de viagens bucólicas e modorrentas acompanhado de meus pais; dias de estudar pra prova; dia de Gugu, Faustão e pra matar de vez a noite, Fantástico. Muita gente não liga pra esse tipo de coisa, leva o domingo na boa, assa uma carne, bota um pagodão no aparelho de som e acha a coisa mais divertida do mundo. Bom pra eles.


Agora, pra mim, o Domingo é sempre perdido, independente da atividade que exerça. Muitas vezes recorro ao sono da tarde pra ver se o dia passa mais rápido. O problema é que geralmente acordo mais cansado e deprimido ainda. Já nasci com esse nojo do domingo; são aqueles ascos natos que todos têm.


Lembro que há dois ano atrás eu andava metido a escrever uns poeminhas meia-boca e os domingos muito me inspiravam a escrever. Num domingo monótono desses eu resolvi dormir pela tarde. Quando acordei, entorpecido pela sobredose de sono, achei que era o momento de escrever alguma coisa a respeito de atividades oníricas, pois a soneca que tirara foi muito produtiva em termos de sonho.


Reproduzo então, logo abaixo, um desses poeminhas rasos que eu escrevi todo de uma vez num desses domingos lamentáveis.


Universo Onírico


Adormecer é a porta de entrada

E no rápido movimento dos olhos

Avista-se este fantástico universo

Onde o grande arquiteto é a inconsciência

E as construções são feitas de memórias


Neste mundo quase tudo é possível

Lá os dias são um eterno entardecer de domingo

E pequenas ladeiras não têm mais fim


Neste mundo quase tudo é possível

Lá você anda nu

Nas ruas de um bairro que nunca existiu


Neste mundo quase tudo é possível

Lá eu sinto mais medo que uma criança

E mais tesão que um alazão


Rememorando alegrias

Rememorando tristezas

Rememorando o futuro


Lá a história não tem roteiro

Pode-se morrer sem perder a vida

Voar sem ter asas

Andar onde não tem chão


E para tudo isso acontecer

Basta adormecer

Horas depois acordar

E conseguir se lembrar

Plínio

29/08/2005


É isso, pessoal. Péssimo domingo a todos.