
Joguei a toalha. Entreguei-me definitivamente ao sistema - como costuma dizer a esquerda festiva. Por razões trabalhistas fui forçado a cortar os cabelos e a fazer a barba. Sai de cena o Plínio com cara de náufrago e entra o com cara de cabaço. Porra, esse visual de cabelo curto, penteado e barba feita não orna à minha pessoa. Estou com cara de empresário, isso é nojento; as pessoas até voltaram a olhar pra mim. Este aspecto visual é demasiadamente insosso, parece-me que perdi completamente a personalidade.
Caralho! Sei que é uma puta frivolidade da minha parte ficar choramingando por que de meus antigos cabelos cumpridos; mas acontece que fiquei angustiado com essa história toda. Parecia-me que parte de minha personalidade residia naquele visual de náufrago. Tinha muito mais de Plínio naqueles cabelos seco e hiper mal-tratados do que em outro lugar. Aquele cabelo que parecia cabelo de canceroso era personalíssimo. Era meu. Podaram-no da minha cabeça. E olha que a senhorita barba já havia sido assassinada antes. Agora sobra metade de um Plínio, que está mais confuso do que nunca. Sou uma espécie de Sansão, acredito.
O mais triste nesta história é notar que ainda se mede o caráter de homem pelas madeixas; ou pela falta de. É uma questão cultural, mas não deixa de ser uma grande bobagem. Fazer o quê. Sozinho, não posso enfrentar o mundo, procurei me adequar à grande merda. Ajustaram-me na pancada, na força bruta, pois argumentos racionais não existiram aí. Porém, como já havia sacado antes, é triste ver que se mede o caráter pelo cabelo. Agora estou desgostoso comigo mesmo, mas estar triste faz bem ao caráter já bem dizia a sabedoria popular. Então, pensando assim, está tudo muito bem – pra eles.





